Então tudo está quieto. Na rua os vizinhos já não fazem mais barulho, todos entraram para casa e fecharam os portões, esvaziando a rua. Agora quem ocupa o asfalto são os gatos, todos enamorados, cantarolando uma canção de conquista. Eu não saí na rua. Recusei qualquer tipo de contato. Da janela do quarto observei os passos, imaginei que a rua daria um belo quadro. Ou então resultaria em poesia. Na rua: barulho e cantoria. No quarto: silêncio que ecoa. Nó na garganta. Ato falho, mais uma vez. Fechei a janela deixando o mundo para fora. Basta o canto dos gatos. Basta meu silêncio. A tua ausência. É...mais uma vez me vejo no fim. Todos fecharam a porta, e eu também.
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Mostrando postagens de novembro, 2016
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Hoje a poesia me basta. Hoje eu queria me sentar ao pé de um poeta e simplesmente observá-lo enquanto, concentrado escreve algum poema. Eu queria estar na mesma sala em que esteve Neruda, enquanto escrevia ''Teu Riso'', e se lá estivesse perguntaria quem havia o inspirado a escrever uma beleza tão pura. Gostaria de estar ao lado de Drummond, quando escreveu ''José''. Esse José que hoje sou eu. Ah...os dias cinzas ás vezes são desesperadores e neles eu não vejo beleza. Não vi nada de belo hoje, só vazio e silêncio. É por isso que veio o desejo de estar ao lado dos poetas. Em um dia como esse, eles o aproveitariam escrevendo tantas e tantas poesias. Tenho inveja dos olhos dos poetas: eles veem o que eu não consigo ver. Hoje o dia fez o coração ficar quieto, frágil, insatisfeito. E por conta disso, insisto: Quero eu ser poeta. Ter os olhos de um poeta, ter a sensibilidade de um poeta, ter as palavras que os poetas têm. Quero eu ir embora daqui e navega...
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Vamos parar de falar sobre o amor! Vamos falar sobre a poesia, sobre os poetas. Falar da melancolia, da alegria. Do modo como os olhos falam quando tudo está em silêncio. Vamos falar sobre a dor. Não falemos sobre o amor. O amor é complexo. E dizer ''eu te amo'' virou moda. Nós não sabemos lidar com o que chamamos de amor. Voltemos a falar sobre a poesia, A falar da música, Falar nem que seja do voo dos pássaros. Isto: Vamos falar dos pássaros que são tão livres e nem se dão conta disso. Ah, se soubessem... Depois, ou então num outro dia, falaremos do amor... Essa coisa chata, rotulada, padronizada. Deixemos o ''eu te amo'' para amanhã.