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Mostrando postagens de janeiro, 2017
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Nosso silêncio ficou tão bonito naquela cena que criamos involuntariamente. Poderia ficar ali sentada, te olhando por muito tempo. Ficaria a tarde toda, a noite toda, o dia todo, o ano todo. Te olharia e não me cansaria. Que bonito foi te ver e te ouvir, tudo ao mesmo tempo, na mesma intensidade, tudo tão conectado.  Você estava ali, o mundo lá fora estava desligado. Não ouvíamos os cães latindo, nem as buzinas do trânsito. Cada detalhe teu eu observava. Os dedos segurando firmemente no pequeno gravador antigo, seus olhos olhando fixo para o chão, mostrando toda a concentração na sua própria voz que ocupava o espaço. Suas pequenas pernas esticadas, sua blusa amassada, os curtos fios do seu cabelo grisalho.  Admirei tudo em silêncio. Registrei tudo dentro da minha alma. Meus olhos tiraram diversas fotos suas. E minhas palavras dançam enquanto escrevo relembrando mais uma vez do dia em que tive a certeza de que havia encontrado o amor. 
Sim, falarei de mim. Esse bicho estranho que ás vezes mal sei dizer o que é. Esse ser que muitas vezes se cala e fica assim por dias. Depois solta a voz e não deixa nada lhe calar. Ser esse que sou eu. E que também não sou, não sei, não reconheço. Esse ser que é muitos. E que de muitos não sabe o que é, quem é e por quê é. Esse animal que sou, que sente, que vive e que foge. Foge de si mesmo, mas logo busca encontra-se loucamente. Que se olha e que se ama, mas que também se odeia. E por isso quer fugir. Deseja correr... Esse ser que é feito de instantes. Que muda tanto, todos os dias. Que quer descobrir-se. Eu...apenas eu que sou muitas. Eu que me olho e que sinto orgulho. Ódio. Amor. Saudade. Raiva. Vontade. Esperança. Felicidade. Eu que sinto e deixo estar. Deixo porque não quero prender tudo como faz todo mundo. Eu, que corro contra a multidão. Eu, que quero nadar contra a corrente. Sou eu, apenas eu...esse bicho estranho. Estranho e cheio de beleza. Beleza q...
Nos deixamos soltos. Estamos leves vivendo a plenitude de cada dia; De cada encontro. ... Vivemos, E apreciamos o ciclo natural de que tudo se dá. Em que tudo se encarrega de ser. Apenas ser... Dois pequenos seres que refletem um no outro,  a totalidade do existir e do entregar-se. Apenas dois. Dois que são, serão, seremos.