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Fim de tarde. 
Nascer. Começar. Recomeçar. Tentar. De novo, de novo e de novo. 

Vamos relembrar Fernando e seus heterônimos.

Fernando, poeta e Pessoa singular que se pluraliza em seus diversos heterônimos que foram criados contendo fortes personalidades e características. Nesse espaço, dedicarei alguns poemas de Fernando e de suas outras crias. Abrindo a porta para os convidados: Não sei quantas almas eu tenho.               Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi, nem acabei. De tanto ser só tenho alma. Quem tem alma, não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo,  Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto á minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, o meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto á margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: ''Fui eu?'' Deus sabe, por...
Então tudo está quieto. Na rua os vizinhos já não fazem mais barulho, todos entraram para casa e fecharam os portões, esvaziando a rua. Agora quem ocupa o asfalto são os gatos, todos enamorados, cantarolando uma canção de conquista.  Eu não saí na rua. Recusei qualquer tipo de contato. Da janela do quarto observei os passos, imaginei que a rua daria um belo quadro. Ou então resultaria em poesia.  Na rua: barulho e cantoria. No quarto: silêncio que ecoa. Nó na garganta. Ato falho, mais uma vez.  Fechei a janela deixando o mundo para fora.  Basta o canto dos gatos. Basta meu silêncio. A tua ausência. É...mais uma vez me vejo no fim. Todos fecharam a porta, e eu também. 
Hoje a poesia me basta. Hoje eu queria me sentar ao pé de um poeta e simplesmente observá-lo enquanto, concentrado escreve algum poema. Eu queria estar na mesma sala em que esteve Neruda, enquanto escrevia ''Teu Riso'', e se lá estivesse perguntaria quem havia o inspirado a escrever uma beleza tão pura. Gostaria de estar ao lado de Drummond, quando escreveu ''José''. Esse José que hoje sou eu. Ah...os dias cinzas ás vezes são desesperadores e neles eu não vejo beleza. Não vi nada de belo hoje, só vazio e silêncio. É por isso que veio o desejo de estar ao lado dos poetas. Em um dia como esse, eles o aproveitariam escrevendo tantas e tantas poesias. Tenho inveja dos olhos dos poetas: eles veem o que eu não consigo ver.  Hoje o dia fez o coração ficar quieto, frágil, insatisfeito. E por conta disso, insisto: Quero eu ser poeta. Ter os olhos de um poeta, ter a sensibilidade de um poeta, ter as palavras que os poetas têm. Quero eu ir embora daqui e navega...
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                                                                            Em fila.
Vamos parar de falar sobre o amor! Vamos falar sobre a poesia, sobre os poetas. Falar da melancolia, da alegria. Do modo como os olhos falam quando tudo está em silêncio. Vamos falar sobre a dor. Não falemos sobre o amor. O amor é complexo. E dizer ''eu te amo'' virou moda. Nós não sabemos lidar com o que chamamos de amor. Voltemos a falar sobre a poesia, A falar da música, Falar nem que seja do voo dos pássaros. Isto: Vamos falar dos pássaros que são tão livres e nem se dão conta disso. Ah, se soubessem... Depois, ou então num outro dia, falaremos do amor... Essa coisa chata, rotulada, padronizada. Deixemos o ''eu te amo'' para amanhã.
Nesta noite, eu tenho o direito de me sentir mal. Tenho o direito de sentir raiva.  Tenho o direito de estar confusa, triste e um pouco insatisfeita. Deixe-me sentir. Deixe-me ser o ser humano falho que sou.
Olhe para mim. Veja a solidão que causamos. Eu também me culpo, pois desde o começo nos tornamos cúmplices dessa bagunça. Agora tudo é solidão. A culpa é nossa. A casa vazia, grita pela sua presença. O grito ardido ecoa por todos os cômodos. Eu fico em silêncio, esperando inutilmente a porta ser aberta. Mais um dia; Mais uma noite; Mais uma semana; Mais um mês; Ontem fez um ano. O cinza também é bonito e o preto nem sempre significa luto. Eu estou sentada, olhando para a janela e escrevendo mais uma página do livro prometido. Mais um dia; Mais uma noite; Mais uma semana; Mais um mês.
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Entra. Fecha a porta e senta. Demorou muito pra chegar e olha o que me fez fazer. Ta tudo ficando sem sentido. Ta tudo virando um caos. A culpa é sua. Não venha dizer que não. Olha a sua volta, tudo isso foi eu que fiz. A culpa é sua. Eu sei. Não consegue mais me olhar nos olhos. Tudo bem...Eu vou embora. A garrafa de vinho está em cima da mesa. Nossas vidas são sempre divididas em atos. Chegamos ao final. 
Você diz que tudo está sobre controle. Está sempre alegre e confiante. Mas hoje querido, eu percebi o seu olhar aflito. Então me diga, me diga o que você irá fazer? O que você irá fazer quando a porta se fechar? O que você irá fazer quando seu coração começar a chorar? Apenas me diga. Quando estávamos sentados no nosso velho sofá, Você sempre me dizia: tudo vai ficar bem, A vida sempre estará de braços abertos. Então me diga, me diga o que você irá fazer? O que você irá fazer quando o sol parar de brilhar? O que você irá fazer quando a chuva começar a te molhar? Apenas me diga, querido. Eu sei das suas dores, sei das fragilidades. Elas também são minhas, eu também as sinto. Então vamos juntos, vamos juntos passar por isso querido. Tudo é um belo show de horrores. PS: Tendo como inspiração as músicas do grande Leon Bridges.  
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A verdade é uma só: nós não sabemos de nada. Não entendemos o porquê de estarmos juntos e menos ainda do porquê de estarmos distantes. Não cabe a mim e nem a você tentar compreender o motivo pela qual você apareceu naquele lugar, exatamente naquele dia.  E por nada sabermos, culpamos o destino. Dizemos que desde o começo tudo já estava planejado e aos poucos os nossos caminhos se cruzaram, resultando nessa confusão que estamos vivendo.  Não busco mais as explicações do seu mundo, que é tão fechado que mal consigo encontrar uma pequena brecha para compreendê-lo. Enquanto eu, num esforço diário tento construir meu mundo, que ainda me engana e me faz ficar em desequilíbrio. Não sabemos para onde iremos, não sabemos se os planos irão se realizar, mas estamos aqui. Um de frente para o outro, ainda acreditando na beleza do encontro que tivemos naquele dia e que perdura até agora, até o instante atual, que traz também a intensidade certa, não deixando nada transbordar.  Nós ...
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O ipê amarelo, na noite estranha de primavera, sussurrava para o vento: -I feel so good today! Cantava um blues, enquanto o vento a tirava para dançar. Suas flores caiam no chão e o ipê, alegre ria. Ele ria do seu desbotar-se.  ''A vida irá se encarregar de trazê-las de volta.''
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Sinal vermelho. The Smiths tocando. O vidro do carro abaixado. O mendigo pede um cigarro. Sinal verde, á vante. Mais uma noite inacabada, rumo ao nada.
Dia sem cor Sem data Sem palavras Sem crença. Dia de nada De ninguém. Dia que se soltou, E agora está em queda livre. Dia, que de tanto não ter cor. Queria ao menos ser cinza. Dia sem temperatura, Sem razão, Dia de nada. Dia sem espera, Dia vazio, Que de tanto ser cheio, transbordou E acabou. Acabou em nada, Que se vê esperançoso De ser tudo. Mas hoje não é nada. Não vale nada.
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No meu desespero eu sou feliz, E no amor desse homem eu me encontro!
Hoje quem fala não sou eu e sim o grande poeta Mario Quintana. Deixo aqui o seu poema ''Seiscentos e Sessenta e Seis. A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos… Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre, sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
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E lá estávamos. No alto do Mirante, observando o mundo. O imenso horizonte onde parecíamos tão pequenos. Lá do alto, sentíamos o leve vento que soprava atingindo nosso pequeno ser. Estávamos juntos mais uma vez. Pintamos o nosso próprio céu e imaginamos as grandes coisas que nos esperam. Lá do alto, sentimos a vida e a gratidão do simples existir. E fizemos a boa e velha promessa de eternizar o que cada um sente pelo outro. Almejando do fundo da alma o eterno.
O que será que faremos de nós? A vida está a me olhar sobre a janela. Seu olhar é de questionamento. Ela me encara e me pergunta o que é que eu estou fazendo. ''Tô sentindo.'' Nada do que eu diga, faz mudar o modo como me olha. A resposta nunca é correta. Só erros...só erros...só arrependimentos. Para onde vamos, se ao menos arriscamos dar o primeiro passo? Tudo anda inquieto, á minha volta só há questionamentos e sentimentos. Sentimentos que ando tendo sobre o mundo. Aquele velho sonho de ser poeta, que só quer escrever sem se importar com que entendam. Falar sobre saudade. Que é o que anda me rondando nos últimos dias... Por onde você anda? Aonde você está? Já foi para a outra cidade? Ah...que saudade que tenho. A porta continua entre-aberta para você. Dizemos que estamos em paz e que estamos bem, Mas o meu velho coração precisa ouvir muito mais do que um simples ''tudo bem,'' O que será de nós? Eu converso com Deus e na noite lon...
"O que é o homem sem liberdade O! Mariana diz-me Diz-me c omo posso amar-te Se eu não sou livre, diz-me Como oferecer-te o meu coração Se ele não é para mim." Poema de Federico Garcia Lorca. É incrível como as palavras nos servem mesmo em épocas diferentes. Esse poema foi escrito há um bom tempo atrás e quando li, senti fortemente o quanto se encaixa no meu momento atual.  
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O velho sábio me dizia: ''Cuida da tua mente, ela é amiga e inimiga.'' E lá ia, seguindo seu caminho pela sabedoria.  E voltava para me guiar no descobrimento do meu .
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O concelho que eu dou a mim hoje é: PIRA!
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Tudo é um sopro. Tudo é leve. A gente é que se encarrega de medir a intensidade do mundo.
A crise. Não sabia mais como lidar com todas as suas inquietudes interiores. Em vão, tentou engolir todas elas resultando num incômodo maior ainda. Sofreu noites e noites em silêncio, para que ninguém a ouvisse e a chamassem de louca. ''Não passa de uma vadia louca.'' Se trancava não querendo ser notada, e não era.  Não se reconhecia mais como uma pessoa, pois se via cinza.  ''É louca.'' Ninguém queria fazer nada e nem podiam. Era a crise mais longa que passara desde os 20. Perpetuou até os 30.  Chegando dolorosamente aos 40. O monstro tomou posse. Já sozinha, ao auge dos 50 escreveu dezenas de livros que sabia que jamais seriam publicados. A última vez que se olhou no espelho, notou um riso involuntário. Algo estava para mudar... Parecia que finalmente o fim chegara. A crise acabou, levando toda a sua alma.  
Sozinho. Só. Sozinho na eterna busca de compreensão do ''ser''. Que de tanto buscar, descobre-se que não é. Nunca foi. Nunca será. E continua só. Sozinho. Na imensidão do nada. Do ser. e  Do nada.
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E terá "nós" aonde quer que você for. Terá "nós" aonde quer que eu esteja. Terá "nós" na minha e na tua solidão, enquanto cada um se tranca no seu mundo. Terá "nós" quando eu me for. Terá "nós" quando você decidir ir embora. "Nós", meu bem, permaneceremos até quando acharamos que já não somos. Sim, sempre existiremos. Seremos. Somos infinitos e é inútil tentar negar essa certeza tão plena que criamos. Nós, nos eternizamos no outro. 
Fechei-me e tranquei-me numa caixa pequena. Ninguém consegue me ver, ninguém imagina aonde estou. Posso ouvir as pessoas chamando-me pelo nome, ás vezes gritam ''Cadê você, menina?'', mas permaneço em silêncio, dentro da minha pequena caixa onde tudo acontece. Onde me vejo desprendida de todas as amarras que um dia eu criei no mundo lá fora. Me vejo vivendo uma certa liberdade de ser eu mesma e saboreio a plenitude de estar só, vivendo a minha vida da maneira como eu acredito ser a melhor.  Dia desses, quando eu sair do meu mundo e colocar os pés no chão, ninguém vai me reconhecer e vão continuar gritando: ''Cadê você, menina?''. As pessoas são engraçadas, elas dizem conhecer a si mesmas e portanto sabem tudo do outro, mas na realidade só sabem ser atendidas pelo próprio nome. E nada mais. 
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Disse-me: - E esse mundo é tão imenso Maria. É injusto você escolher ficar parada no mesmo lugar. 
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E vestida de coragem, decidiu iniciar voo sem olhar para trás.
Estavam os dois, sentados num sofá pequeno enquanto se deliciavam de uma boa taça de vinho. A noite anterior havia sido cheia de turbulências e marcaram um encontro na tentativa de esquecê-la. Tinha música, tinha vinho, tinha os dois. Ela no seu intenso silêncio, agradecia mentalmente por aquele momento. O olhava com o coração feliz, tentando imaginar o que ele poderia estar pensando e até cogitou acreditar que ele também poderia estar agradecendo por aquele momento mentalmente, assim como ela estava fazendo.  Existem lindas declarações de amor que são ditas através dos olhares e era exatamente isso que os dois estavam fazendo. Nenhuma palavra precisava ser dita. Os olhos enxergavam a alma de cada um e podiam ver o brilho intenso transcendendo. 

Retalhos da infância.

Quando era menina, acreditava que conseguia segurar o mundo com as mãos.  Deixava o tempo escorrer pois sabia que poderia pegar ele de volta. Não suportava a ideia de simplesmente existir. Queria mais era VIVER, assim,em letras  maiúsculas. Compreendia da sua maneira a real essência do amor. Acreditava em todos os seus sonhos e tinha total certeza de que iria realizar todos. Não tinha tempo para fixar seus pés no chão. Vivia a poesia que vinha do céu, Pois se via cercada de infinidades  Nada podia limitá-la, Quando menina, ela não tinha medo. Quando menina, sabia ser exatamente o que queria ser. E jurou que não desistiria de si...não enquanto fosse menina...não enquanto fosse infinita.
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Os dias passam quietos, sem fazer barulho como se quisessem evitar qualquer incômodo.
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Que no meu caminho, eu encontre muitas flores para que eu possa colhê-las a cada curva que eu fizer. Que não falte cores no meu novo caminho. Que não falte a essência necessária, para ser feliz. Que não me falte a sensibilidade que será exigida nos meus próximos dias. Coragem, força, fé e determinação. Que nada falte. Que não falte colheitas de todas as sementes que plantei.  Amor. Que não falte!
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Um dia, eu vou ser o meu maior orgulho. 
Eu nada seria se não tivesse o amor. Se não recebesse tão reciprocamente o amor que dou. Aos animais, As flores, A natureza, Ao Sol,  A minha família, Aos meus amigos, Ao amor. Ao universo, que é Deus. Eu nada seria se me encontrasse sozinha, sem rumo e sem amor. Eu nada seria se não lesse meus poemas Dos meus poetas preferidos. Nada seria se me encontrasse, num dia cinza e não amasse a nostalgia boa  Que as nuvens trazem. Nada seria se não tivesse amor. Se não tivesse a sensibilidade concedida pelo amor. Não seria quem sou hoje, não seria quem serei amanhã. Não seria eu. Nada seria Se não tivesse amor.

Ausência dos fatos.

Sinto falta dos olhares que um dia trocamos naquela mesinha de bar. Olhares acompanhados de um bom vinho e de uma boa música de fundo. E sinto falta das risadas e do modo como ficava sem graça, quando você dizia que todas as músicas estavam sendo tocadas especialmente para nós. Sinto falta da delicadeza que suas mãos tinham ao tocar meu rosto. Do modo como seus olhos diziam o que você estava sentindo por mim. Sinto falta de ficar em silêncio com você e mesmo assim, trocar declarações e juras de amor. Faz falta as noites de verão. Faz falta o vinho do amor. Faz falta o barzinho com música de fundo. Os beijos selando o amor, faz falta. As conversas sobre o futuro, fazem falta. O seu toque leve em minhas mãos, faz falta. O seu sorriso faz falta.  A verdade é que tudo o que um dia nós fomos, está fazendo falta. E me preocupa não viver mais esse amor. 
Nesta noite, amor Me lembro de todos os versos  Que lhe fiz Nesta noite, Guardo os beijos que não te dei Guardo os abraços. Nesta noite, amor Meu corpo sente tua falta E fecho os olhos, para lembrar do seu cheiro Nesta noite, amor Lhe escrevo mais um verso Enquanto sinto tua falta Enquanto minha alma  Grita, querendo encontrar-te.

Disse-me: Vai!

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Quase como um sopro, me disse: -Vai, segue teus sonhos!! Me fiz silêncio. Arrumei a mala, dentro coloquei algumas flores. Com uns trocados comprei a passagem. Fui. Entrei no ônibus, vazio e velho. Não sabia para onde iria. Não sabia aonde estavam os meus sonhos Não sabia aonde os encontraria. Prometi que voltaria com pelo menos um deles realizado.

A falta que faz.

Faltou beijo. Faltou abraço apertado. Rosto colado. Gosto de vinho. Perfume de amor. Falta nós dois. Na noite que costumava ser nossa. Onde costumávamos ser . Nós. Dois. Falta amor á dois.

Solidão.

Na tarde, sozinha Tentamos se esconder de nós mesmos O mundo fica estranho  E barulhento As pessoas querem e precisam Mostra-se. Na tarde do silêncio Só quem fala é a mente Que tenta inutilmente se silenciar. 

....

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E a vida ainda continua sorrindo para mim. Ainda insiste em me dizer que tudo, absolutamente tudo ficará bem. A vida ainda me olha de canto, e diz que gosta de mim E que é admiradora da minha coragem. Olhou-me nos olhos, e me disse que enviaria um presente Esperei....espero...esperarei... Pois ela ainda sorri para mim E assiste comigo o pôr do sol.

Amargo.

No fundo, bem lá no fundo O que a gente quer mesmo  É botar um belo sorriso E dizer que está feliz O que a gente quer é fazer Com que todos acreditem que tudo vai bem E piscamos o olho direito, dizendo: ''Vai tudo bem, meu bem.'' No fundo, bem lá no fundo Quando deitamos na cama E nos silenciamos  Choramos a angústia  Do amor amor não correspondido E da farsa que nós somos. No fundo, bem lá no fundo Criamos um mundo que nos convém Onde tudo é azul-bebê E onde somos vistos  Plantando belos girassóis Mas bem lá no fundo Somos sós Sozinhos E fingimos Fingimos tão bem Que ás vezes acreditamos  Que tudo realmente está indo bem.

Reticências.

''Nada mudará.'' Repetia todas as noites antes de pegar no profundo sono. Acordava e sentia-se completamente diferente de quando fora dormir na noite anterior. Passou a acreditar que algum fenômeno acontecia durante a longa noite em que adormecera. Não gostava da ideia de acordar sendo um outro alguém, tendo sentimentos do qual desconhecia. Não gostava da mudança, pois não se adaptava á ela. Pois sabia que toda mudança trazia uma dor do desconhecido com ela.  Ia dormir não desejando mudar. E repetia sempre ''Nada mudará.'' E acordava sentindo-se outra pessoa no seu próprio corpo. 

Novos dias, meus caros!

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Algo novo está nascendo. Em meio aos dias tristes e turbulentos de crise moral Algo novo está nascendo Talvez seja minha louca fé na vida Algo novo está nascendo E em meio aos desastres do cotidiano Virá dias de pura luz Virá dias de paz E não importa o que já deu errado O que de novo virá Vai fazer tudo brilhar Não importa mais a dor Algo novo está nascendo E se preparem para as boas vindas Preparem os sorrisos Pois o novo virá.

A sensibilidade que existe...

Hoje a poesia olhou nos meus olhos e me fez respirar fundo para não chorar. Li Neruda e em cada verso ficava mais  emocionada. A sua poesia olhava para mim e dizia: - Mulher, tu és. Hoje a poesia me sensibilizou. Quis entrar dentro do papel e morar em cada palavra, assim estaria longe da dura realidade que me cerca.  Hoje eu queria ser apenas poeta !

S I L Ê N C I O

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Há um rio onde meus pensamentos flutuam Rio este que me jogo na tentativa De me esquecer Não falar mais o que finjo que sei Pois não sei Não sou Me basto no silêncio.

Meu gigante Drummond, muito obrigada!

"Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfí­cie intata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. Convive com teus poemas, antes de escrevê-los. Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam. Espera que cada um se realize e consume com seu poder de palavra e seu poder de silêncio." Carlos Drummond de Andrade