Então tudo está quieto. Na rua os vizinhos já não fazem mais barulho, todos entraram para casa e fecharam os portões, esvaziando a rua. Agora quem ocupa o asfalto são os gatos, todos enamorados, cantarolando uma canção de conquista. 
Eu não saí na rua. Recusei qualquer tipo de contato. Da janela do quarto observei os passos, imaginei que a rua daria um belo quadro. Ou então resultaria em poesia. 
Na rua: barulho e cantoria.
No quarto: silêncio que ecoa.
Nó na garganta. Ato falho, mais uma vez. 
Fechei a janela deixando o mundo para fora. 
Basta o canto dos gatos. Basta meu silêncio. A tua ausência. É...mais uma vez me vejo no fim. Todos fecharam a porta, e eu também. 

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