Sim, falarei de mim.
Esse bicho estranho que ás vezes mal sei dizer o que é.
Esse ser que muitas vezes se cala e fica assim por dias.
Depois solta a voz e não deixa nada lhe calar.
Ser esse que sou eu.
E que também não sou, não sei, não reconheço.
Esse ser que é muitos.
E que de muitos não sabe o que é, quem é e por quê é.
Esse animal que sou, que sente, que vive e que foge.
Foge de si mesmo, mas logo busca encontra-se loucamente.
Que se olha e que se ama, mas que também se odeia.
E por isso quer fugir.
Deseja correr...
Esse ser que é feito de instantes.
Que muda tanto, todos os dias.
Que quer descobrir-se.
Eu...apenas eu que sou muitas.
Eu que me olho e que sinto orgulho. Ódio. Amor. Saudade. Raiva. Vontade. Esperança. Felicidade.
Eu que sinto e deixo estar.
Deixo porque não quero prender tudo como faz todo mundo.
Eu, que corro contra a multidão.
Eu, que quero nadar contra a corrente.
Sou eu, apenas eu...esse bicho estranho.
Estranho e cheio de beleza.
Beleza que sente por existir. 
Eu que sou e serei, mesmo quando não querer mais ser, eu serei.

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