Pequenos diálogos.

-Como você se sentiria se a gente terminasse?
-Quê?
-Se a gente terminasse, você iria sofrer?
-Por que você tá me perguntando isso?
-Porque eu quero. 
-Ué, tá querendo terminar comigo é?
-Não! Não é isso Pedro, é só uma pergunta. 
-Ah...Me sentiria mal, eu acho.
-Como assim, ''acha''? É uma pergunta tão simples. Olha: Se você me ama, você vai sofrer. Se você não me ama, não sofre.
-Nossa Ana, que bobagem. 
-Por que bobagem? Eu sofreria, porque eu te amo. 
-Eu não vejo dessa maneira. Não tem sentido o que você ta falando. Pensa comigo: Se eu te amo ou então se você me ama, não vai querer me ver sofrer. Sofrimento não é sinônimo de amor. 
-Então você não sofreria?
-Não. Eu não sofreria se você terminasse comigo. Porque o sofrimento é uma escolha, da qual eu nego. 
-Hum.
-Que foi, Ana?
-Nada.
-Não vai me dizer que não gostou da minha resposta?!
-Não é isso. É que não vejo dessa forma. Só isso.
-Bom, deixa esse assunto pra lá, vai. Olha, ontem passei no sebo e encontrei aquele livro que você estava precisando.
-Valeu...
(silêncio)
-Ta vendo, é por isso que não gosto de dar trela para tudo que você fala. Você não consegue ouvir minha opinião sem julgá-la. Para com isso Ana, toda vez é a mesma coisa, pô.
-Pedro, era uma pergunta simples você foi quem complicou tudo. Agora me sinto uma iludida.
-Ah não, você não ta falando sério né?!
-Tô, é claro que tô. E se tudo que eu sinto ou penso que sinto não for verdadeiro?
-Ana, pelo amor de Deus, nós estamos juntos há dois anos e meio. Não sei você, mas pra mim é tempo suficiente para saber o que sinto por você.
-Eu jurava que você ia falar que sofreria. Eu ia sofrer Pedro, e muito! Só que se eu sofro é porque não te amo.
-Isso não pode ser sério. 
-Acho que precisamos dar um tempo.
-PUTA QUE PARIU ANA! Você é maluca.
-Pedro, eu não quero ser apegada a você.
-Para com essa paranoia Ana. 
-Não é paranoia. Você tem razão no que disse. É errado o modo como eu penso e eu não quero que nosso relacionamento se torne uma mentira por minha culpa. 
(Ela se levanta e começa a vestir sua calça, em seguida pega sua regata branca.)
-Porra Ana, você é realmente maluca. 
- ...
-Então vai Ana, vai...Mas não pense que eu vou ficar atrás de você. Porra, você não vê que isso é uma grande idiotice?
-Não é idiotice Pedro. Se tudo isso for uma ilusão, estaremos livres para viver um verdadeiro amor com outra pessoa, mas se o que existe entre nós já for amor, ótimo eu voltarei para continuar vivendo-o.
-NOSSA, VOCÊ É MALUCA MESMO!!! 
(abre a porta do quarto, termina de fazer um coque no seu cabelo e fecha a porta. Pedro continua sentado na cama, com o fino lençol cobrindo suas pernas. Passa as mãos pelo cabelo, num gesto incrédulo. Olha para o livro que comprou no sebo: ''Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios''. Respirou fundo.)
-Caralho, Ana...

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